09/04/2014

Os maiores culpados da inflamação crônica

Essa é a parte II da série "O mito do colesterol" escrito pela nutricionista Alice Dalpicolli Rodrigues.
Caso você ainda não tenha visto, eu já publiquei a introdução e a parte I. ;)

O MITO DO COLESTEROL
por Alice Dalpicolli Rodrigues

Parte II -Os maiores culpados da inflamação crônica


Quais são os maiores culpados?

Simplesmente, são a sobrecarga de carboidratos simples altamente processados (açúcar, trigo e todos os produtos fabricados a partir deles), o excesso de consumo de gorduras trans e hidrogenadas (margarina, maionese, doces, pães, biscoitos, recheios, sorvetes) e óleos vegetais ricos em ômega-6 (canola, soja, milho, algodão, girassol). Além destes, adoçantes artificiais, frituras, álcool, refrigerantes e sucos industrializados, sal refinado, aditivos alimentares tais como corantes, conservantes, intensificadores de sabor, que estão presente na imensa maioria dos alimentos industrializados.

Várias vezes por dia, todos os dias, os alimentos que comemos criam pequenas lesões compondo em mais lesões, fazendo com que o corpo responda de forma contínua e adequada com a inflamação. Para ilustrar: enquanto saboreamos um tentador pão doce, o nosso corpo responde de forma alarmante como se um invasor estrangeiro chegasse declarando guerra. Alimentos carregados de açúcares e carboidratos simples, ou processados com gorduras trans ou óleos omega-6 para durar mais nas prateleiras se tornaram a base da nossa dieta durante seis décadas. Esses alimentos foram lentamente viciando e envenenando a todos.

Resumindo: quando consumimos carboidratos simples como o açúcar ou o trigo, a glicemia (açúcar no sangue) sobe rapidamente. Em resposta, o pâncreas segrega insulina, cuja principal finalidade é fazer com que o açúcar chegue em cada célula, onde é armazenado para energia. Se a célula estiver cheia e não precisar de glicose, o excesso é rejeitado para evitar que prejudique o trabalho. Quando suas células cheias rejeitarem a glicose extra, o açúcar no sangue sobe produzindo mais insulina, e a glicose se converte em gordura armazenada.

O açúcar no sangue é controlado em uma faixa muito estreita. Moléculas de açúcar extra grudam-se a uma variedade de proteínas, que por sua vez lesam as paredes dos vasos sanguíneos. Estas repetidas lesões às paredes dos vasos sanguíneos desencadeiam a inflamação. Ao cravar seu nível de açúcar no sangue várias vezes por dia, todo dia, é exatamente como se esfregasse uma lixa no interior dos delicados vasos sanguíneos.

Fast foods, batatas fritas e peixe frito são embebidos em óleo de soja, alimentos processados são fabricados com óleos omega-6 para alongar a vida útil. Enquanto ômega-6 é essencial – e faz parte da membrana de cada célula controlando o que entra e sai da célula – deve estar em equilíbrio correto com o ômega-3. Com o desequilíbrio provocado pelo consumo excessivo de ômega-6, a membrana celular passa a produzir substâncias químicas chamadas citocinas, que causam inflamação. Atualmente a dieta habitual tem produzido um extremo desequilíbrio dessas duas gorduras (ômega-3 e ômega-6). A relação de faixas de desequilíbrio varia de 15:1 para tão alto quanto 30:1 em favor do ômega-6. Isso é uma tremenda quantidade de citocinas que causam inflamação. Nos alimentos atuais uma proporção de 3:1 seria ideal e saudável.

Para piorar a situação, o excesso de peso que você carrega por comer esses alimentos, cria sobrecarga de gordura nas células que derramam grandes quantidades de substâncias químicas pró-inflamatórias que se somam aos ferimentos causados por ter açúcar elevado no sangue. O processo que começou com um bolo doce se transforma em um ciclo vicioso que ao longo do tempo cria a doença cardíaca, pressão arterial alta, diabetes, câncer, e, finalmente, a doença de Alzheimer, visto que o processo inflamatório continua inabalável.

Não há como escapar do fato de que quanto mais alimentos processados e preparados consumirmos, quanto mais caminharemos para a inflamação pouco a pouco a cada dia. O corpo humano não consegue processar, nem foi concebido para consumir os alimentos embalados com açúcares e embebido em óleos omega-6.

Há apenas uma resposta para acalmar a inflamação...

O colesterol não é a causa de doenças cardíacas

Esse é o segundo texto da série "O mito do colesterol" escrito pela nutricionista Alice Dalpicolli Rodrigues. Caso você chegou agora, clique aqui para ler a introdução. ;)

O MITO DO COLESTEROL
por Alice Dalpicolli Rodrigues

Parte I - O colesterol não é causa de doenças cardíacas


Abaixo esta transcrita uma carta de 01/06/2011, do renomado cirurgião cardíaco Dr. Lundell Dwight, com experiência de 25 anos, tendo realizado mais de 5.000 cirurgias de coração:

"Colesterol não é a causa de doenças cardíacas"
A terapia ainda aceita atualmente para controlar e reduzir a ocorrência de doenças cardiovasculares é a prescrição de medicamentos para baixar o colesterol e uma severa dieta restringindo a ingestão de gorduras. Qualquer recomendação diferente é considerada uma heresia e pode possivelmente resultar em erros médicos. Pois bem, ela não está funcionando!

Estas recomendações não são cientificamente ou moralmente defensáveis. A descoberta há alguns anos que a INFLAMAÇÃO na parede da artéria É A VERDADEIRA CAUSA DA DOENÇA CARDÍACA é lenta, levando a uma mudança de paradigma na forma como as doenças cardíacas e outras enfermidades crônicas serão tratadas.

As recomendações dietéticas estabelecidas há muito tempo ter criado uma epidemia de obesidade e diabetes, cujas consequências tem sido desastrosas e apequenam qualquer praga histórica em termos de mortalidade, do sofrimento humano e de consequências econômicas. Apesar do fato de que 25% da população tomar caros medicamentos à base de estatina e, apesar do fato de termos reduzido o teor de gordura de nossa dieta, mais pessoas vão morrer este ano de doença cardíaca do que nunca.

Estatísticas do American Heart Association mostram que 75 milhões dos americanos atualmente sofrem de doenças cardíacas, 20 milhões têm diabetes e 57 milhões têm pré-diabetes. Esses transtornos estão afetando pessoas cada vez mais jovens em maior número a cada ano.

SEM A PRESENÇA DE INFLAMAÇÃO NO CORPO, NÃO HÁ NENHUMA MANEIRA QUE FAÇA COM QUE O COLESTEROL SE ACUMULE NAS PAREDES DOS VASOS SANGUÍNEOS E CAUSE DOENÇAS CARDÍACAS E DERRAMES. SEM A INFLAMAÇÃO, O COLESTEROL SE MOVIMENTA LIVREMENTE POR TODO O CORPO COMO A NATUREZA DETERMINA. É A INFLAMAÇÃO QUE FAZ O COLESTEROL FICAR PRESO.

A inflamação não é complicada – é simplesmente a defesa natural do corpo a um invasor estrangeiro, tais como toxinas, bactéria ou vírus. O ciclo de inflamação é perfeito na forma como ela protege o corpo contra esses invasores virais e bacterianos. No entanto, se cronicamente expor o corpo à lesão por toxinas ou alimentos no corpo humano, para os quais não foi projetado para processar, uma condição chamada inflamação crônica ocorre. A inflamação crônica é tão prejudicial quanto a inflamação aguda é benéfica.

Que pessoa ponderada voluntariamente exporia repetidamente a alimentos ou outras substâncias conhecidas por causarem danos ao corpo? Bem, talvez os fumantes, mas pelo menos eles fizeram essa escolha conscientemente. O resto de nós simplesmente seguia a dieta recomendada correntemente, baixa em gordura e rica em gorduras poli-insaturadas e carboidratos, não sabendo que estavam causando prejuízo repetido para os nossos vasos sanguíneos. Esta lesão repetida cria uma inflamação crônica que leva à doença cardíaca, diabetes, ataque cardíaco e obesidade.

REPETINDO: A LESÃO E INFLAMAÇÃO CRÔNICA EM NOSSOS VASOS SANGUÍNEOS É CAUSADA PELA DIETA DE BAIXO TEOR DE GORDURA RECOMENDADA POR ANOS PELA MEDICINA CONVENCIONAL.

Quais são os maiores culpados da inflamação crônica?

O mito do colesterol

As pessoas sempre torcem o nariz quando descobrem que eu aumentei o consumo de gorduras na minha alimentação. É bem interessante observar a reação de alguém quando falo que tomo café com óleo de coco todos os dias de manhã, pois eu também pensava assim: o alto consumo de gorduras é prejudicial ao nosso organismo.

Eu fui criada seguindo uma alimentação com poucas gorduras: leites desnatados, queijos magros, carnes magras, azeite super controlado, entre outras coisinhas. Então também estranhei bastante quando descobri que o ideal para nosso corpo é consumir muitas gorduras com poucos carboidratos.

E para perder o medo das gorduras é preciso esclarecer o mito do colesterol, por isso vou repostar aqui uma série de textos sobre o assunto "o mito do colesterol" escritos pela nutricionista Alice Dalpicolli Rodrigues. O texto completo é muito extenso, por isso vou seguir a divisão que ela fez e publicar em partes aqui também, colocando o link no final dessa página, ok?

Vamos lá...

O MITO DO COLESTEROL
por Alice Dalpicolli Rodrigues

Introdução

Esta substância essencial à vida está no topo das grandes preocupações sobre a dieta rica em gorduras que venho estudando, praticando e prescrevendo. O assunto é muito longo, mas importante demais, por isso dividi em um série de posts.

Pessoas que seguem uma dieta low carb-high fat apresentam muitas dúvidas e receios quando apresentam uma elevação nos níveis de colesterol total e LDL (o oposto também ocorre com frequência). Selecionei e adaptei trechos abordados pelo Dr.Victor Sorrentino, Dr. José Carlos Souto e Caio Fleury.

Tenho recebido muitas críticas, pois estou confrontando um assunto consolidado há cerca de 50 anos (que teve por base interesses financeiros muito grandes). Algumas pessoas, leigas e também profissionais, simplesmente não aceitam ou não compreendem as ideias apresentadas. Na realidade os conhecimentos agora expostos são compartilhados há algum tempo por milhares de médicos e cientistas pelo mundo, mas infelizmente (como muita coisa dentro da medicina), não são divulgados amplamente e não chegam a quem tem interesse.

Então, vamos agora, a algumas informações surpreendentes. Esta substância virou vilã de uma hora para outra. Porque uma comunidade inteira de médicos nos diz sistematicamente que o problema da elevação do colesterol é devido ao excesso de gorduras nos alimentos, principalmente gorduras saturadas. O que ninguém esclarece é que o colesterol é formado de carboidratos, e não de gorduras!

Mas e para que existe colesterol dentro de nossos corpos? Porque será que Deus colocou esta arma feita para nos aniquilar dentro de nós mesmos? Porque o primeiro e único alimento oferecido a um recém nascido até seu sexto mês de vida é rico em gordura saturada e colesterol?

Bebês são ótimos exemplos de como nós seres humanos necessitamos de colesterol, pois mamando no peito eles recebem, não por acaso, 50% das calorias disponíveis no leite materno em colesterol puro! Claro, o cérebro humano tem seu peso quase todo de gordura, nada mais interessante do que dispor de condimentos adequados para sua perfeita formação.

O colesterol compõe a membrana de todas as 75 trilhões de células de nosso corpo. Aproximadamente mais de 80% dos níveis sanguíneos de colesterol total são endógenos, ou seja, são produzidos internamente pelo organismo, independente dos alimentos que são consumidos, o que pode ser observado por meio de estudos randomizados e controlados. O colesterol é à base de formação de todos os nossos hormônios esteroidais. 

Estudando fisiologia básica deveríamos questionar a respeito das funções do colesterol e a partir dai repensar sobre os motivos pelos quais fomos levados a acreditar que ter colesterol é a pior coisa que poderia acontecer em nosso corpo.

Houve um grande progresso nos estudos, que indicam o que está por trás do desenvolvimento de doenças cardíacas ao longo dos últimos 10 anos, embora o governo e grandes instituições médicas continuem se atendo a uma ciência falha e incompleta de cinco décadas atrás, para dizer o mínimo, o que contribui para a atual confusão e incompreensão sobre o assunto.

Uma meta-análise publicada em 2012 na Obesity Reviews, com 17 estudos low-carb, constataram que em média não há alterações nos níveis de colesterol LDL dos participantes, embora aumente um pouco em alguns indivíduos e diminua em outros. Contudo, obviamente, houve uma melhora substancial em todos os fatores de risco de desenvolvimento de doenças, como aumento do colesterol HDL “bom”, diminuição dos níveis de triglicérides, insulina, glicose em jejum, pressão sanguínea, perda de peso/gordura visceral (abdominal) e diminui nos níveis da proteína C reativa, que assim como a gordura visceral e os anteriores, é um indicador de inflamação e infecção relacionado à aterosclerose.